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sábado, 18 de agosto de 2012

CONTAR HISTÓRIAS!



O ser humano, antes do surgimento da escrita, o conhecimento era transmitido por meio da oralidade, contando histórias que eram passadas de geração em geração para ensinar determinados conhecimentos e valores para a população da região. Havia sempre uma pessoa responsável por essa função, que geralmente eram os anciões da vila, onde todos se reuniam ao se redor para ouvirem as histórias. Mesmo depois do surgimento da escrita, os contadores de histórias, os bardos como queiram chamar, continuaram a ter importância, uma vez que o domínio da leitura não era de todos e sim de uma minoria dominante.
            Hoje em dia, com o surgimento da escrita, avanços tecnológicos e domínio da leitura por muitos, a transmissão do conhecimento é feita, quase que exclusivamente por livros, meios eletrônicos entre outros que tenha presente a escrita, afinal de contas ela surgiu para como forma de transmitir melhor as informações; porém muitas vezes buscamos uma forma de estimular o imaginário das pessoas, e a contação de história é uma delas, um dos locais que podemos fazer isso é na escola e nos grupos de RPG.
Diferentemente da escola, onde você apenas ouve a contação, no RPG você vivência a história definindo o seu rumo. Para que se tenha uma história é importante abordarmos alguns pontos que são extremamente importantes para o professor que quer contar histórias para seus alunos, assim como narrador que quer prender a atenção dos seus jogadores.


            Como a uma aula, o professor tem que preparar com antecedência ao pensar em contar uma história para seus alunos, pois pode ser pego desprevenido por eles, como suas perguntas desconcertantes, ou pela história que irá contar, pois se selecionar o livro na hora da aula, sem conhecê-lo, pode se atrapalhar ao contar, como pode haver palavras que não são ideias para os alunos, o ideal é o professor ler antes para se preparar, para não ser pego de surpresa.
            Para o narrador de RPG, que muitas vezes e pego de surpresa para narrar e tenta o improviso, o ideal é que tenha sempre uma aventura semi-pronta, com informações como o terreno, local em que se passa, alguns personagens que são fundamentais para a trama da aventura e quem são os NPCs, o enredo mal acabado; pois se não houver pelo menos uma pequena preparação, a aventura pode perder seu rumo, uma vez que o RPG não apresenta linearidade, fazendo os jogadores perderem o interesse na mesma.
            Tanto para o narrador de RPG como o professor que irá contar uma história dentro de sala de aula, existe uma premissa básica para que se tenha sucesso na empreitada, que é, quem estiver no comando da narrativa, deve transmitir confiança no que está narrando, para que assim possa prender a atenção dos que estão ao seu redor, deve procurar narrar de uma forma que motive a participação e prenda a atenção, o que não é uma tarefa fácil se você tiver muitas pessoas no grupo, porém com uso de algumas técnicas a tarefa é tornada mais fácil.
            Outro fator importante é conhecer os participantes, uma vez que a escolha da história que o professor irá escolher ou o sistema a ser narrado, depender exclusivamente do professor e do narrado, mas conhecer os participantes ajuda na escolha, para que possa prender a atenção deles, a não ser que, esteja procurando testar algo novo; nesse ponto é interessante esclarecer antes e sabe o interesse dos participantes.
Conta uma história não é tarefa fácil, pois existem muitos fatores que podem colocar tudo a perder, cabe a cada contador procurar a melhor forma de fazer, para que seja um costume frequente e se ganhe experiência, e que sirva como forma de transmitir conhecimento, como era feito antigamente. 

domingo, 25 de março de 2012

Slides apresentação RPG e Educação

Saudações Pessoas!
Estou hoje passando para deixar com vocês, um vídeo dos slides utilizados por mim na Mostra Lúdico-Narrativa, que aconteceu no IFRN. Para não deixar os slides passando no silêncio, coloquei uma música de fundo. Espero que aproveitem e qualquer dúvida ou pergunta, podem entrar em contato.


Em breve estarei postando mais novidades.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Aplicando o RPG dentro da Sala de aula!


Utilizarmos o RPG em pequenos grupos é uma tarefa fácil, uma vez que todo narrador está habituado a isso, porém em salas de aula com muitos alunos, a dificuldade se mostra presente, temos então que pensarmos em táticas apropriadas para a utilização dentro da sala de aula, para que tudo possa correr como planejado.
 Primeiramente, vamos analisar do ponto de vista do professor sendo o narrador, que é a melhor opção, uma vez que ele conhece o conteúdo, preparou a aula com o RPG como metodologia e sabe o que deve ser transmitido para os alunos, porém ele não terá controle sobre o grupo, se todos os alunos da sala forem um personagem na aventura, principalmente se a sala possuir mais de trinta alunos, então temos pensar em possíveis táticas para aplicação, uma vez que aprendido o funcionamento e as técnicas de narrativa no RPG, ele saberá como trabalhar o jogo em si com seus alunos.
Quando o professor não tiver outros narradores a sua disposição para ajudar-lhe, ele pode utilizar a tática de colocar um personagem por fileira, onde uma pessoa da fileira irá fazer uma ação e a próxima será feita por outra pessoa da fila, e para fazer com que fiquem prestando atenção ao que está sendo colocado, é interessante trabalhar com a ordem seja aleatória, como colocado por Lourenço (2004, p. 53):

[...] possibilidade é você usar seis personagens, um por fileira de cadeiras. O primeiro a interpretar é sempre a pessoa que menos estiver prestando atenção. Assim você vai prender a atenção de todo mundo. Não siga uma ordem na fileira, ()porque isso causa um vício [uma vez que decoram a sequência que será aplicado]. (Simpósio RPG & Educação, 2004, p. 53, acréscimo do autor)

Mas se o professor que promover uma socialização ainda maior que a proporcionada pelo o RPG, pode ele dividir a sala em grupos de quatro ou cinco alunos, onde cada grupo será o responsável por um personagem, e todas as ações do personagem deve ser decididas em conjunto por todos os membros do grupo.
Contudo, existem outras possibilidades para se trabalhar o RPG em sala de aula, uma delas é o professor/narrador, convidar alguns narradores experientes para lhe ajudarem na atividade inicial, onde os alunos possam ter um contato inicial com a mecânica e funcionamento do jogo, onde aprendam a jogar, para assim despertar o interesse deles. Após os alunos terem conhecido e aprendido o RPG, o professor pode aproveitar aqueles alunos mais comunicativos (diga-se os que mais conversam) e que gostam de chamar a atenção, para lhes ensinar a narrar e aproximar-se desses alunos, trabalhando em conjunto com eles, e assim formar narradores entre os alunos, assim, além de ser outra tática a ser utilizada, para que se possa usar com mais frequência em sala de aula, o que pode servir também para que seja levado para fora da sala, e possivelmente se transformar e um projeto maior futuramente, dentro da escola.
Aqui foram apresentadas apenas algumas ideias, assim como o RPG, você é livre para pensar em muitas outras formas de se trabalhar dentro de sala de aula.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Abordagens para a apliocação do RPG em sala de aula!


O trabalho do professor consiste em planejar e aplicar conforme suas necessidades, para que se tenha uma boa aula e possa-se trabalhar tranquilamente, o narrador no RPG tem uma papel parecido dentro da aventura, afinal de contas, gasta horas planejando e escrevendo tudo que se quer que ocorra na narração e seus objetivos.
Quando pensamos em utilizar o RPG na escola, juntamos o professor e o narrador em um mesmo papel, onde o planejamento de ambos não é diferente do habitual, porém é necessário saber quais os benefícios que o RPG na escola irá trazer, coisas que vimos no post passado, e isso são de extrema importância, para não utilizarmos RPG apenas por utilizar ou por que nos falaram, o que irá definir o uso efetivo do RPG na escola é a preparação que ocorrerá antes de sua aplicação, onde irá nos ajudar a tirar o máximo de proveito dessas características.  
Todo narrador experiente sabe que quando se tem um grupo pequeno, de seis a dez participantes, fica fácil de trabalhar, para um professor que seja um narrador nessa característica, ela terá facilidade em trabalhar o RPG em sua sala de aula, porém, quando se tem um grupo muito grande, com mais de 35 alunos, que é a realidade presente nas escolas públicas brasileiras; como proceder para utilizar da melhor forma possível? Porém antes disso, iremos saber as abordagens que podemos dar ao RPG, para trabalharmos dentro da sala de aula.
A primeira abordagem que podemos ter é o lúdico pelo lúdico, onde você irá trabalhar o RPG com os alunos, sem a necessidade de se trabalhar um conteúdo especifico, fazendo com que os alunos, conheçam e aprendam a mecânica possuída RPG, além de distraírem e interagirem entre si, por fim, pode se solicitar que façam um relatório, onde possam apresentar suas impressões sugestões, além de relatarem o que aprenderam com o que se passou na aventura, coisa que eles farão com toda a vontade, uma vez que a atividade os tenham motivado, outra coisa que se pode querer com o RPG na sala de aula, é procurar motivar os alunos para o aprendizado, fazendo com que tenham o prazer em estudar e ler e não apenas hábito como é comum se escutar por ai (Isso será tratado em um outro post).
Outra abordagem para aplicação do RPG em sala de aula, é a verificação do conhecimento. Não como meio de avaliação, que seria necessário algo muito mais complexo e elaborado, mas apenas para verificar o conhecimento prévio dos alunos, como se encontra o conhecimento deles em relação a um determinado conteúdo, onde o professor irá narrar uma aventura e nela ir colocando situações onde, eles tenham que por em prática o conhecimento aprendido durante as aulas e se sabem a sua aplicação.
Mas uma abordagem que pode se trabalhar é utilizar o RPG para construção do conhecimento, onde se intercala partidas de jogo e conteúdo aplicado em sala de aula, e durante a aventura se cobra o conhecimento adquirido na aula anterior e se insere novos conteúdos durante a aventura, onde se dá pequenos intervalos para lhe explicar sobre o que está sendo falado, para que em seguida seja posto uma situação problema que envolva o que foi colocado, para que assim possam utilizar o que aprenderam, resumindo, essa abordagem utiliza-se das outras existentes de uma forma mais trabalhada.
Existem muitas outras abordagens possíveis, que vai acontecer de acordo com a necessidade de cada professor-narrador, onde pode se avaliar a melhor forma de trabalho, em breve estarei postando algumas táticas e técnicas para se usar na sala de aula, Até a próxima!

sábado, 28 de janeiro de 2012

RPG na Escola (Parte 2)



    O QUE DEVE SER MUDADO NA PRÁTICA EDUCATIVA

Antes de sabermos o que deve ser mudado e como corrigi-lo, é necessário entendermos didaticamente o que vem a ser ensino, segundo Libâneo (1994, p. 3): “O ensino corresponde a ações, meios e condições para a realização da instrução; contem, pois, a instrução.”
Seguindo esse pensamento, instrução seria o conteúdo transmitido de forma sistematizada sobre algo, que é o processo presente dentro da escola, porém essa transmissão de conteúdo acontece de forma desarticula, sem reflexão. Porém não se deve confundir educação com educação escolar.  Pois segundo Libâneo (1994):

Educação é um conceito amplo que se refere ao processo de desenvolvimento onilateral da personalidade, envolvendo a formação de qualidades humanas – físicas, morais, intelectuais, estéticas – tendo em vista a orientação da atividade humana na sua relação com o meio social, num determinado contexto de relações humanas. (LIBÂNEO, 1994, p. 22)

Já que educação escolar é o ensino, propriamente dito, pois visa apenas a transmissão do conteúdo sem relação com a vida, tendo em vista que o principal meio de educação escolar é o ensino. Agora vamos ver quais as características do processo de ensino.

   Características do Ensino

 Aqui veremos o que acontece para gerar desinteresse por parte dos alunos, onde servirá de base para reflexão, pois não mostrarei respostas prontas e sim situações para nossa analíse.
Os avanços tecnológicos, tiram a atenção dos estudantes, pois a cada dia que passa estão mais presentes em nossas vidas e conseqüentemente, dentro das salas de aula. Porém colocar toda a culpa da falta de atenção dos alunos a aula, em cima dos aparatos tecnológicos e outros fatores, é algo passivo de reflexão por parte dos profissionais envolvidos nessa atividade, reflexão essa sobre a sua prática docente em sala.
Vamos analisar quais seriam esses pontos do ponto de vista didático, presente no livro didática de Libâneo (1994). A primeiro ponto apresentado por ele é a transmissão do conteúdo de forma mecânica, sem articulação, o que impede o pensar e refletir do aluno, e que o responsável por essa prática é o professor, pois para o aluno, ele decora até o momento de utilizá-lo, depois ignora, pois serve apenas para a nota, não tendo uma utilidade prática. Como podemos ver na passagem a seguir:

O professor passa a matéria, o aluno recebe e reproduz mecanicamente o que absorveu. O elemento ativo é o professor que fala e interpreta o conteúdo. O aluno, ainda que responda o interrogatório do professor e faça os exercícios pedidos, tem uma atividade muito limitada e um mínimo de participação na elaboração dos conhecimentos. (LIBÂNEO, 1994, p. 78)

Outro ponto apresentado é a importância dada ao livro didático, como se ele fosse o único a possuir domínio do  conteúdo e que sem ele o mesmo, não pode ser transmitido; além do que, se tem como meta, muitas vezes impostas pelos pais, acabar todo o conteúdo presente nele até o fim do ano letivo. Nesse ponto podemos perceber que está incluído o anterior, pois com o objetivo de terminar o conteúdo do livro até o fim do ano, fazendo com que o professor não se preocupe em articular o conteúdo de acordo com a realidade dos alunos.

É dada excessiva importância à meteria que está no livro, sem preocupação de torna - lá mais significativa e mais viva para os alunos. Muitos professores querem, a todo custo, terminar o livro até o final do ano letivo, como se aprendizagem dependesse de “vencer” o conteúdo do livro. (LIBÂNEO, 1994, p. 78)

Sabemos que a oralidade é uma das melhores forma de transmissão do conhecimento, o problema nisso em uma sala de aula, é que cada pessoa tem uma forma de compreender, umas mais rápido outras mais lentamente, por isso os conteúdos devem de alguma forma serem ligados, de forma que se vai preparando os alunos para entrar em novo conteúdo, além de se ter uma avaliação de forma continuada. Como encontrado em Libâneo (199):

O ensino transmissivo não cuida de verificar se os alunos estão preparados para enfrentar matéria nova e, muitas vezes, de detectar dificuldades individuais na compreensão da matéria. Com isso, os alunos vão acumulando dificuldades e, assim caminhando para o fracasso. (LIBÂNEO, 1994, p. 79)

E um último ponto que abordaremos, é justamente a aplicação do conteúdo no dia a dia, uma vez que, o ensino de forma mecaniza, como vimos no primeiro ponto, não ensina a utilidade para a vida, do que é aprendido, ainda mais quando não se tem relação com a realidade vivenciada pelos alunos; além desse fator, a sala de aula, serve como uma prisão do conteúdo, como se estivesse em outra realidade, pois o conteúdo ali aprendido não condiz com a sua vivência.

O trabalho docente fica restrito às paredes da sala de aula, sem preocupação com a prática da vida cotidiana das crianças fora da escola (que influem poderosamente nas suas condições de aprendizagem) e sem voltar os olhos para o fato de que o ensino busca resultados para a vida prática, para o trabalho, para a vida na sociedade. (LIBÂNEO, 1994, p. 79)

Com esses pontos vistos, podemos perceber que podemos fazer algo para mudar a realidade escolar, pois cabe a nós essas mudanças. Nisso, iremos ver como é possível utilizar o RPG como apoio na aprendizagem, mudando a forma de trabalho, corrigindo essas práticas, além de fazer algo que beneficiara a vivência deles.

domingo, 22 de janeiro de 2012

RPG na Escola (Parte 1)


Vimos qual o papel do jogo na formação do homem e qual a sua importância no seu processo formativo, aprendemos um pouco sobre o RPG e todo o seu processo criativo. Agora, vamos saber como utilizá-lo na escola e quais os benefícios de utilizá-lo. Mas para tal, precisamos saber o que é a escola e qual seu papel na sociedade atual. Iremos ter uma série de post e por isso estou dividindo o post do RPG na escola em várias etapas, então vamos começar!
  
        A ESCOLA COMO REGULADOR SOCIAL

Quando pensamos em escola, pensamos nos prédios construídos que tem por função educar a população, além de ter essa definição encontrada em vários dicionário, para que sejam “cidadãos”, ou seja, modelo de pessoas que agem e pensam como o governo espera; e não um prédio para formar gente pensante e reflexiva. Mas encontramos outras significações também, como a de um grupo de pessoas que seguem a mesma tendência e forma de pensamento. Porém o termo escola vem do grego, Schóle, que era o tempo de ócio, que o jovem usa para a sua preparação antes da educação formal, onde ele era guiado por um escravo para ser educado nas assembléias..
Porém com o surgimento da burguesia, durante a Idade Média, mas precisamente entre os séculos XI e XII, a escola passou a ser de responsabilidade do estado, e assim tomou outra postura em relação ao ensino, como mostra Garcia e Queiroz (2009): O estado assumiu a responsabilidade pela educação da população em geral, tornando a escola uma instituição a seu serviço.
A escola não sofreu mudanças desde a Idade Média até o nosso tempo. Como afirma Garcia e Queiroz(2009):

Grande parte dessas práticas, condutas, hábitos, objetos etc. têm sua origem em épocas remotas. A escola origina-se com a sociedade de classe para atender à necessidade de uma educação diferenciada para as classes proprietárias, encontrando-se na Idade Média as bases da cultura escolar. (GARCIA e QUEIROZ, 2009, p. 54)

Assim vemos, que a escola foi criada para educar as classes dominantes da época, mas como o estado assumiu a responsabilidade do ensino, teve que oferecer a todos, e assim teria que passar conteúdo de uma forma que mostrasse a superioridade da classe dominante, mas que não fosse questionada pelo restante da população, por isso que o conteúdo é trabalhado de forma desarticulada, para que  não leve o sujeito a pensar e refletir sobre o que lhe cerca. Como nos mostra Garcia e Queiroz (2009):

...o modelo burocrático aplicado na escola tem cooperado para o desenvolvimento de uma cultura marcada pela desarticulação dos sujeitos entre si e pelo individualismo. [...] a educação escolar tornou-se um instrumento capaz de legitimar a superioridade dos grupos dominantes, difundindo os conhecimentos e a cultura desses grupos como os únicos que mereciam ser ensinados. (GARCIA e QUEIROZ, 2009, p. 58)

Dessa forma, podemos perceber que a forma que a escola utiliza a educação, como forma de homogeneizar a cultura, por meio da imposição da cultura da classe dominante sobre as demais, havendo um processo de aculturação da dominante sobre as demais, fazendo que se veja a cultura das elites como superior. Mas a educação da elite burocrática e a do restante da população nunca foram feitas no mesmo local, pois ambos possuem educação diferenciada, feitas em escolas com estrutura e qualidades diferentes. Como posto por Garcia e Queiroz (2009):

As ações escolares devem acontecer submetendo, supostamente, todas as pessoas às mesmas regras, tornando as ações sociais homogêneas, quando, na prática, ocorrem em lugares específicos e para classes sociais distintas. Reservam-se para os filhos das classes trabalhadoras os sistemas de ensino diferente daqueles freqüentados pelos descendentes de classes abastadas [...] (GARCIA e QUEIROZ, 2009, p. 57)

Também sobre isso Libâneo (1994) fala:

 Assim, a educação que os trabalhadores recebem visa principalmente prepará-los para o trabalho físico, para atitudes conformistas, devendo contentar-se com uma escolarização deficiente. Além disso, a minoria dominante dispõe de meios de difundir sua própria concepção de mundo [...] para justificar, ao seu modo, o sistema de relações sociais que caracteriza a sociedade capitalista. (LIBÂNEO, 1994, p. 20)

Essa diferenciação que vemos dentro da educação, é uma forma de fazer com que se cresça sabendo qual a sua posição dentro da sociedade, para que as pessoas sejam conformadas e haja uma estratificação social sem possibilidade de mobilidade por conformismo. O que torna isso possível é a forma como a escola é organizada, mostrando suas ações de forma hierarquizada, como Garcia e Queiroz (2009) expõe:
[...] na separação das séries anuais e dos níveis de ensino nos sistemas educativos, nas disciplinas que integram o currículo escolar, nos conteúdos de ensino, no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, na separação das tarefas desempenhadas pelos profissionais que atuam na escola, na organização do tempo e do espaço escolar. (GARCIA e QUEIROZ, 2009, p. 59)

Contudo, o fato de terem uma educação diferenciada e da hierarquização, não implica dizer que não possamos ser seres pensantes e reflexivos, que tenhamos sempre que sermos conformados com a posição que tivemos, que não possamos querer seguir em frente e buscar uma posição privilegiada dentro da sociedade. Um dos problemas que podemos visualizar e que colabora para esse problema na educação, é o individualismos presente no dia a dia, cada vez mais posto pelos meios de comunicação e trabalhado dentro das escolas; onde não há um compartilhamento dos planejamentos por parte dos professore, onde há congratulações e as vezes até prêmios para os alunos com melhores notas e assim por diante. Como mostra Garcia e Queiroz (2009): “Ainda hoje, o individualismo é uma postura que dificulta promover mudanças nas práticas escolares de forma integrada, orientado por um projeto comum.” (GARCIA e QUEIROZ, 2009, p. 59)
Isso não implica dizer que a escola não pode mudar, ela é passível de mudança sim, cabe aos envolvidos em sua construção querer que ocorra a mudança, trabalhando para tal, como mostrado por Libêneo (1994, p.21): “as relações sociais podem ser transformada pelos próprios indivíduos que a integram.” Assim, uma de nossas responsabilidades é pensarmos formas de construirmos o conhecimento, para que os participantes dessa ação, sejam seres pensantes e reflexivos e que acabemos com o individualismo, indo além dessas barreiras que vimos, existe outra que ocorre dentro da sala de aula, que são as barreiras do ensino.
No post seguinte iremos ver o que deve ser mudado no ensino!! Até mais!